Se considerarmos o SPED como marco, podemos dizer que a transformação digital da área tributária no Brasil já tem mais de uma década. Atualmente, a maioria das interações com o fisco acontece pela troca de arquivos e mensagens eletrônicas. O desafio para os contribuintes é preparar suas informações com qualidade, a partir de dados confiáveis e, obviamente, com o menor custo possível.
Se considerarmos apenas a redução no consumo de papel, tivemos um upgrade em relação ao período anterior ao SPED, quando os auditores carregavam seus papéis de trabalho em malas, cheias de formulários colunados e preenchidos a mão. Por outro lado, quando consideramos processos e pessoas, ainda há muito espaço para evolução.
Apesar da eliminação de papel e automação das declarações e obrigações acessórias, o processo tributário interno nas empresas ainda tem muitos gargalos, planilhas e ajustes manuais, principalmente em relação aos impostos diretos (IRPJ/CSLL), cuja complexidade de apuração, que depende de muitas variáveis e análises subjetivas, dificulta a automação. Em outras palavras, os formulários colunados em papel viraram planilhas Excel, mas a lógica do processo é basicamente a mesma.
os formulários colunados em papel viraram planilhas Excel, mas o processo é basicamente o mesmo
Em relação a pessoas, os profissionais que atuam na área fiscal das empresas normalmente acabam sendo consumidos pelo o dia a dia das apurações, recolhimentos, declarações, reportes e acabam negligenciando a análise de dados, que poderia gerar insights valiosos e transformar a área fiscal da empresa de centro de custo em parceira estratégica nos negócios.
Acredito que a adoção de novas tecnologias, como RPA (Robotic Process Automation) e IA (Inteligência Artificial) na área tributária, seja questão de tempo.
A transformação digital da área tributária passa necessariamente pela revisão de processos e pelo desenvolvimento das competências analíticas necessárias aos profissionais que atuarão na área
Assim, a transformação digital da área tributária passa necessariamente pela revisão de processos (para usar um termo emprestado do design thinking, reavaliar a jornada dos usuários, que no caso poderiam ser todos os stakeholders, incluindo administradores, acionistas e autoridades fiscais), bem como o desenvolvimento das competências analíticas necessárias aos profissionais que atuarão na área.